Temendo atropelamentos na areia, moradores limitam trânsito de carros em praia de Ubatuba | Sistema Costa Norte de Comunicação
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Foto: Reginaldo Pupo

Temendo atropelamentos na areia, moradores limitam trânsito de carros em praia de Ubatuba

Foram implantados piquetes de madeira em um trecho de cerca de meio quilômetro, onde há maior concentração de banhistas e carros

10 de janeiro de 2019 Última atualização: 15:30
Por Da Redação
Foto: Reginaldo Pupo

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Cansados de assistir a carros em manobras perigosas e até rachas na areia, moradores da praia de Ubatumirim, em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, decidiram limitar o trânsito de veículos na areia da praia, criando um “corredor” exclusivo para separá-los dos banhistas, que temem atropelamentos.

Para isso, implantaram piquetes de madeira em um trecho de cerca de meio quilômetro, onde há maior concentração de banhistas e carros. A medida, porém, é ilegal, segundo a SPU (Superintendência de Patrimônio da União). A circulação e estacionamento de veículos também são vetados por lei municipal. Em um trecho da praia, uma placa fixada pela própria prefeitura informa sobre a proibição de estacionamento na praia, com um telefone para denúncias.

Mesmo assim, a prefeitura de Ubatuba autorizou a “obra” e doou as cerca de 300 estacas de madeira para que os próprios moradores criassem o “corredor”. O material, segundo a administração, estava estocado em diversos pátios da prefeitura, que seria utilizado em paisagismos de prédios públicos. O valor não foi informado.

“A medida é uma reivindicação antiga dos moradores e foi tomada em conjunto com a comunidade”, explica a prefeitura em nota.

A praia tem aproximadamente dois quilômetros de extensão. Com a medida, os veículos agora circulam pelo corredor, mais próximos à área de jundu, enquanto os banhistas permanecem em uma área mais próxima do mar, que muitas vezes diminui com a maré cheia.

De acordo com engenheiro agrônomo André Motta, do ICC (Instituto de Conservação Costeira), com a criação do “corredor”, os veículos passarão por cima da vegetação de jundu, que é rasteira. “É uma vegetação muito sensível, com poucas condições de sobrevivência, que será esmagada pelos carros, compactando a areia, o que dificultará a regeneração da espécie”, explica.

Mota acrescenta que este tipo de vegetação está situada em áreas de preservação ambiental permanente. “Além dos impactos sobre a vegetação, há também o impacto sobre os microorganismos que vivem na área, como crustáceos e eventuais ninhos de tartarugas que desovem nessa faixa de areia”.


“Pista de corrida”

Segundo os moradores e banhistas, o trânsito de carros na areia da praia é intenso aos finais de semana e se agravou com a chegada da temporada. “Já vi menores de idade dando ‘cavalo de pau’ na areia, colocando em risco a vida dos banhistas”, reclamou a turista Ana Paula Moreira Zoila, 36, que estava com seus dois filhos a poucos metros do “corredor”.

“A decisão de separar a praia em duas partes, uma para veículos, e outra para banhistas, foi tomada após a comunidade se cansar de assistir a tantos acidentes. Os moradores não são o problema, pois eles respeitam. O problema são os turistas, que fazem da praia uma pista de corrida”, justifica Juarez Barbosa, diretor da associação de moradores de Ubatumirim.

Mesmo com a medida, a reportagem flagrou no último feriado de Réveillon diversos veículos na área destinada aos banhistas. No canto direito da praia e distante do “corredor”, dezenas de carros foram vistos trafegando em alta velocidade e estacionados na área de jundu e em um rio que corta a faixa de areia.

Alguns turistas deixaram seus carros no meio da praia, como extensão às tendas fixadas na areia, e para aproveitar o som alto dos veículos. Não havia fiscalização.


Medida temporária

Os moradores afirmam que a medida é temporária e cobram da prefeitura a abertura de uma rua fora da faixa de areia e a criação de um bolsão de estacionamento da zona azul.

Em dezembro passado, a prefeitura chegou a anunciar a cobrança de estacionamento na praia - R$ 12,00 por veículo -, mas voltou atrás na decisão após desagradar os turistas. Oficialmente, a administração informou que a implantação da zona azul na praia está “em fase de adequação de estudo”.

Há apenas um acesso à praia de Ubatumirim, em uma rua de terra que começa às margens da rodovia Rio-Santos. A praia, muito procurada justamente por proporcionar aos turistas um contato direto com a natureza, praticamente intocada, está localizada na região norte de Ubatuba, a 30km do centro e a poucos quilômetros da divisa com Paraty (RJ).


Ilegalidade

A instalação dos piquetes feita pelos moradores, com autorização da prefeitura de Ubatuba, é ilegal, pois necessita de aval da SPU, órgão ligado ao recém-criado Ministério da Economia, responsável pela gestão e planejamento de territórios da costa brasileira. O órgão afirmou que não foi comunicado e que irá notificar a prefeitura, que por sua vez, informou não ter recebido a notificação.

Em nota, a SPU informou que está em tratativas com a prefeitura, por meio de um convênio de cooperação técnica, em busca de uma solução definitiva para o problema do acesso de carros na areia da praia de Ubatumirim.

Para a SPU, a iniciativa do município, em conjunto com os moradores, apesar de não ter a autorização da superintendência, é menos danosa ao meio ambiente que a grande circulação de carros no local. “Considerando que essas estruturas são removíveis, seu uso cessará tão logo sejam definidas as questões de acessibilidade à praia”, finalizou a SPU na nota.

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