Entidade faz levantamento de mortes acidentais de crianças e adolescentes | Sistema Costa Norte de Comunicação
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Entidade faz levantamento de mortes acidentais de crianças e adolescentes
Foto: Andrew Seaman/Creative Commons

Entidade faz levantamento de mortes acidentais de crianças e adolescentes

De acordo com a pesquisa, em 2017 cresceu o número de casos de mortes por armas de fogo, afogamento, queimadura e intoxicação no país

11 de julho de 2019 Última atualização: 12:20
Por Da Redação

A organização não governamental Criança Segura divulgou um levantamento sobre as mortes por acidente de crianças e adolescentes de até 14 anos em 2017. Conforme apontado, naquele ano aumentou o número de casos de mortes por armas de fogo, afogamento, queimadura e intoxicação em todo o país.


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Segundo a entidade, no entanto, de 2016 a 2017, o número geral de mortes por acidentes de crianças e adolescentes de até 14 anos caiu 1,93% no Brasil, passando de 3.733 casos fatais para 3.661, de acordo com os dados mais recentes divulgados pelo Ministério da Saúde. 


A queda, conforme aponta, foi a menor desde 2011, por isso, é necessário atenção por parte dos gestores públicos em âmbito municipal, estadual e federal para evitar que esses casos voltem a aumentar no país. Vania Schoemberner, coordenadora de Desenvolvimento Institucional da Criança Segura, comenta: “Esse cenário reforça a necessidade de campanhas educativas contínuas e ações com o poder público para a prevenção de acidentes com crianças”.


Desde 2001, ano que a Criança Segura iniciou sua atuação, houve uma redução de 40,86% no número de mortes de crianças e adolescentes por motivos acidentais no Brasil. Segundo a entidade, os acidentes continuam sendo a principal causa de morte de crianças e adolescentes de um a 14 anos no Brasil, superando os casos relacionados a doenças e até mesmo violência. Ainda, conforme especialistas, 90% dos acidentes poderiam ser evitados com medidas simples de prevenção. 

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Dados de 2017

Um dos motivos para a redução da quantidade geral de óbitos acidentais das crianças e adolescentes brasileiros ser pequena é que alguns tipos de acidentes apresentaram aumento significativo no número de casos fatais de 2016 para 2017, como os relacionados ao disparo acidental de armas de fogo (+ 95%), afogamentos (+4,49%), queimaduras (+3,83%) e intoxicação (+6,76).


Por outro lado, houve redução nos casos de mortes acidentais de meninas e meninos até 14 anos no trânsito (-7,89%), sufocação (-5,93%) e quedas (-1,09%).


De modo geral, os acidentes que mais tiram vida de crianças e adolescentes no país são, respectivamente, trânsito (1.190), afogamento (954) e sufocação (777).


Por faixa etária, sufocação é a principal causa de morte acidental de bebês de até um ano de idade; o afogamento é o acidente que mais tira vida de meninas e meninos de um a quatro anos; e o trânsito é a causa mais fatal para as crianças e adolescentes de cinco a 14 anos. 

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Afogamento

As mortes de crianças e adolescentes de até 14 anos por afogamento subiram 4,49% de 2016 para 2017, movimento atípico para a constante redução de óbitos nessa faixa etária que pode ser observada desde 2009. 


Na faixa etária de menores de um ano, passou de 21 casos fatais em 2016 para 31 em 2017, o que representa um aumento de 47,62%. Entre a faixa etária onde os casos mais se concentram, de um a quatros anos,  também houve aumento de 8%, passando de 407 casos para 439.


A classificação do tipo de afogamento que mais aumentou foi  “afogamento e submersão em águas naturais” - que inclui rios, córregos, mares, lagos etc. - , que é a que mais concentra os casos de mortes por esse tipo de acidente na infância. O número de casos subiu de 339 em 2016 para 393 em 2017.


Arma de fogo

Apesar de pouco representativo no total de mortes acidentais de crianças e adolescentes, o número de óbitos por disparo acidental de armas de fogo quase dobrou de 2016 para 2017, passando de 20 para 39 vítimas em um ano.


Houve aumento no número de casos na faixa etária que vai de um a 14 anos, principalmente entre meninas e meninos de um a quatro anos, onde a quantidade de casos fatais subiu 350%, passando de 2 para 9 mortes. Entre as crianças de cinco a nove anos o crescimento dos óbitos por esse motivo foi de 7 para 12 (+71,42%). Em relação à população de dez a 14 anos os casos passaram de 9 para 17 (+8,88%).


Esse dado é bastante preocupante e deve ser monitorado atentamente, principalmente com a mudança da legislação que pretende facilitar o acesso a armas de fogo no país. 


Criança Segura

A Criança Segura é uma entidade não governamental, sem fins lucrativos, dedicada à prevenção de acidentes com crianças e adolescentes de até 14 anos. A organização atua no Brasil desde 2001 e faz parte da rede internacional Safe Kids Worldwide, fundada em 1987, nos Estados Unidos, pelo cirurgião pediatra brasileiro, Martin Eichelberger.


Para cumprir sua missão, desenvolve ações de Políticas Públicas – incentivo ao debate e participação nas discussões sobre leis ligadas à criança, objetivando inserir a causa na agenda e orçamento público; Comunicação – geração de informação e desenvolvimento de campanhas de mídia para alertar e conscientizar a sociedade sobre a causa e mobilização – cursos à distância, oficinas presenciais e sistematização de conteúdos para potenciais multiplicadores, como profissionais de educação, saúde, trânsito e outros ligados à infância, promovendo a adoção de comportamentos seguros. 

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