Circuito das Aves de Santos tem 300 espécies catalogadas | Sistema Costa Norte de Comunicação
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Circuito das Aves de Santos tem 300 espécies catalogadas
Foto: Leonardo Casadei

Circuito das Aves de Santos tem 300 espécies catalogadas

Cidade intensifica corredores verdes com o plantio de árvores nativas da Mata Atlântica em vias estratégicas

13 de agosto de 2019 Última atualização: 14:21
Por Da Redação

Foto: Leonardo Casadei

Foto: Francisco Arrais

Foto: Leonardo Casadei

Foto: Leonardo Casadei

Foto: Rogério Bomfim

Acordar bem cedo, ter olhar atento e a audição mais aguçada do que nunca. Requisitos básicos para a prática da observação de aves. Em Santos, equipes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam) já catalogaram quase 300 espécies de aves em dez pontos diferentes da cidade.


Esses locais formam o Circuito das Aves, criado em 2016 e onde podem ser encontrados pássaros ameaçados de extinção e outros não tão comuns na região. Jardim da praia, Orquidário, Jardim Botânico e Engenho dos Erasmos estão entre os chamados observatórios naturais da rica diversidade biológica do litoral paulista.


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Contagem

A bióloga da Semam Sandra Pivelli, que desenvolveu o projeto do Circuito das Aves, conta que o mapeamento das espécies é possível graças ao trabalho permanente da secretaria, que hoje realiza a catalogação das aves com a ajuda da população.''Essa contagem não para nunca. Mas não ficamos mais o mesmo tempo nas mesmas localidades, porque recebemos informações de moradores e trabalhadores quando surgem espécies novas''.


As fotos dessas aves estão hoje espalhadas pelo jardim da praia e Jardim Botânico. Servem como uma espécie de guia, orientando os observadores sobre as espécies que já foram encontradas na cidade.


Atualmente, estima-se que cerca de 680 espécies de aves habitem o estado de São Paulo, de um total de 1.919 catalogadas em todo o Brasil, segundo o levantamento mais recente, de 2015.


Entre tantas descobertas já registradas na região, Sandra destaca algumas surpreendentes. Um gavião-pombo, ameaçado de extinção, encontrado sobrevoando o Morro da Nova Cintra. ''Ele é um gavião florestal e normalmente não o veríamos por aqui. Mas os morros ainda têm mata contínua e isso pode tê-lo atraído para cá''.


O gavião-asa-de-telha, que consta na lista de espécies sob risco de extinção elaborada pelo Governo do Estado, também já deu ares na região. E a relação de surpresas não para. "Há uns dois anos, encontramos uma araponga no Jardim Botânico. É um bicho ameaçado de extinção e houve uma época em que era muito capturado em gaiolas. É um bicho de serra, de área íngreme. Vocalizava loucamente quando o encontramos'', lembra a bióloga.


Os tucanos-de-bico-preto, encontrados no Jardim Botânico e no Engenho dos Erasmos, também foram uma grata surpresa para a especialista. ''Eu nunca os tinha visto por aqui. Assim como o urubu-de-cabeça-vermelha, que não corre risco de extinção, mas só tinha visto na Área Continental. Depois, acabei encontrando no Engenho dos Erasmos''.


A mais recente ‘’aparição’’ não foi algo inédito em Santos, porque já está catalogada pelas equipes da Semam. Mas encontrar uma coruja-buraqueira em meio às obras da Ponta da Praia foi uma novidade, segundo Sandra.


Descoberta por um morador do bairro, que acionou a prefeitura, a ave, adulta e de pequeno porte, foi encontrada em um buraco que se formou entre uma laje quebrada e a via em construção.


 ‘’Quando eu cheguei para vê-la, parecia que ela ainda estava inspecionando e possivelmente defendendo o território. Ela logo me enfrentou demonstrando interesse por um local totalmente urbano’’, conta a bióloga, que acionou a Polícia Ambiental para cercar a área e evitar que caminhões que passassem por ali chegassem muito perto do animal. Segundo Sandra, ainda não é possível saber se a ave é macho ou fêmea, já que ambos os sexos são idênticos.


Conexão verde

A diversidade de espécies e a quantidade de aves que circulam pela nossa região fizeram com que a prefeitura colocasse em prática um trabalho de ‘’conectividade’’ de várias áreas da cidade, intensificando o plantio de árvores em vias estratégicas e ligando-as a praças e parques, já bastante arborizadas, formando grandes ‘’corredores verdes’’.


A ideia, de acordo com o chefe do Departamento de Áreas Verdes (Depav) da Secretaria de Meio Ambiente, João Cirilo, é aumentar a oferta de alimentos e atrair ainda mais pássaros para a cidade.


‘’O que estamos fazendo é um trabalho de conexão dessas praças e parques, conhecidas como massas verdes, plantando mais árvores.  A arborização da avenida Jovino de Melo, por exemplo, foi feita pensando nisso’’, explicou Cirilo. A via, que é lateral ao Jardim Botânico Chico Mendes, na Zona Noroeste da cidade, recebeu mais de 100 árvores entre o final de 2018 e o início de 2019.


Outro exemplo é o aumento do número de árvores na avenida Eleanor Roosevelt, importante via da Zona Noroeste, e na avenida Francisco Ferreira Canto, que liga a Zona Noroeste aos morros. Essas vias são muito próximas ao Engenho dos Erasmos, mais uma importante referência do Circuito das Aves e que atualmente reúne 87 espécies da avifauna.


‘’Damos preferência a espécies da Mata Atlântica, sempre observando a ideia de atrair a avifauna da nossa região com pitangueiras e ipês amarelos, que são a árvore símbolo da cidade. Quando o assunto é corredor verde, Cirilo destaca a ideia de levar a um espaço público urbano uma mistura de lazer, contemplação e preservação da natureza.


Veja os pontos do Circuito das Aves


1. Jardim Botânico Chico Mendes. O maior parque da cidade tem 90 mil metros quadrados. Parte da sua vegetação se desenvolveu a partir de um planejamento iniciado em 1991, que implantou coleções botânicas temáticas representativas, em grande parte, dos ecossistemas locais, principalmente da Mata Atlântica. No local, já foram observadas 87 espécies.

2. Monumento Nacional Engenho São Jorge dos Erasmos. A área de 48 mil metros quadrados, próxima ao morro da Caneleira, possui ruínas de um engenho de açúcar construído no século XVI e é coberta por remanescentes de Mata Atlântica em estágio de regeneração. No local, já foram observadas 87 espécies.


3. Morro da Nova Cintra. Bairro de planalto, assentado no vale formado pelos morros Cotupé, Água Branca, Marapé, Jabaquara, São Bento, Penha e Nova Cintra. Tem uma cascata natural e a Lagoa da Saudade, situada a 118 metros de altitude e com 9.800 m2 de área. No local, já foram observadas 93 espécies.


4. Orquidário. Tem uma área de cerca de 24 mil metros quadrados e um lago de 1.180 metros quadrados que atrai espécies aquáticas como as garças. No local, já foram observadas 60 espécies.


5. Jardins da praia. É o maior jardim de orla de praia do mundo, com 5.514 metros de extensão e cerca de 1.300 canteiros. São mais 100 espécies de plantas, entre elas lírios amarelos, margaridas, pingos-de-ouro, íris e biris. Há cerca de 800 árvores, sendo a maioria chapéu-de-sol, além de 200 palmeiras de 30 espécies diferentes. Os jardins incluem a plataforma do Emissário Submarino, que abriga o Parque Municipal Roberto Mario Santini. Do parque, avista-se a Ilha de Urubuqueçaba, cuja vegetação é composta basicamente por pitangueiras, figueiras e jerivás. O local é área de descanso para urubus, garças e biguás. No local, já foram observadas 58 espécies.


6. Pinacoteca Benedicto Calixto. Possui um grande jardim externo composto por poucas espécies de porte arbóreo e arbustivo. No entanto, por estar próximo a um dos trechos do jardim da praia, contribui para que as aves possam se deslocar com maior facilidade por entre a vegetação esparsa do lugar. No local, já foram observadas 34 espécies.


7. Praça Caio Ribeiro de Moraes Silva. Fica no bairro Aparecida, a uma quadra da praia, e é uma das praças com maior diversidade vegetal nas imediações, atraindo várias espécies de aves. No local, já foram observadas 35 espécies.


8. Teatro Municipal Braz Cubas. Fica em uma área de 5.130 metros quadrados, com um jardim com espécies atrativas, perto de uma das vertentes do maciço montanhoso da área insular e de um dos canais do Município, o que influencia diretamente as aves que frequentam a região. No local, já foram observadas 40 espécies.


9. Ilha Diana. Localiza-se na Área Continental do Município e possui vegetação típica de manguezal, com alterações significativas intensificadas nos últimos dois anos por instalações de terminais portuários. No local, já foram observadas 102 espécies.


10. Fazenda Cabuçu. Também na Área Continental de Santos e com acesso, pela Rodovia BR-101 (Rio-Santos) - km 240, permitido sob monitoramento de agências credenciadas pela Prefeitura, já que parte de sua área está incluída em uma Área de Proteção Ambiental (APA). No local, já foram observadas 105 espécies.

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