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Depois de testemunhar grandes conflitos entre índios, portugueses e franceses, acompanhar as saídas de naus, cujos destinos eram a fundação de importantes cidades, entre elas São Vicente e Rio de Janeiro; hospedar o histórico Hans Staden e, ainda, "brilhar" com as luzes de óleo de baleia, Bertioga entrou no século XX como um simples núcleo de pescadores. Sem luz ou água encanada, era apenas o ponto de descanso de pequenas embarcações de caiçaras, que percorriam grandes distâncias entre Santos e os demais portos do litoral Norte.

Foto: Arquivo JCN

Outro meio de acesso para Santos era feito apenas a partir das lanchas da Cia. Docas de Santos, entre o porto e um pequeno terminal de trem de transporte do pessoal de manutenção da Usina Hidrelétrica de Itatinga, com atracadouro às margens do Rio Itapanhaú.

Na década de 1930 surgiu a Cia. Santense de Navegação para ligar Bertioga a Santos pelo Canal, em uma cansativa viagem de, no mínimo, duas horas. A estrutura era formada por duas barcas diárias uma estação flutuante no porto (armazém 6), e um trapiche na Vila de Bertioga.

Foto: Arquivo JCN

Com o tempo, a travessia passou a ser feita em quatro barcas, duas em cada direção, e mais um barco de carga. Quem se arriscava ir a remo, enfrentava longas cinco horas de esforço físico. E olha que muitos encaravam esta viagem.

A primeira alternativa via terrestre surgiu no final do ano 1930, quando o empresário Antônio Ermírio de Moraes, após adquirir um imóvel no bairro do Indaiá, resolveu abrir um acesso rodoviário, sem asfalto, entre a praia do Perequê, em Guarujá e o Canal de Bertioga.

Foto: Arquivo JCN

Anos depois, a estrada de rodagem passou à jurisdição do Departamento de Estradas de Rodagem DER, quando foi inaugurado o serviço de Ferry Boat, em 1954. Mas a via Guarujá-Bertioga ainda teve que esperar por mais quatro anos para ser asfaltada, mas precisamente entre o final de 1958 e começo de 1959. Naquele ano, o serviço de travessia registrou o número de 13.290 veículos. No ano seguinte, passou para 29.438.

Somente na década de 1940, Bertioga começou a se destacar como centro balneário, embora tenha permanecido isolada, dada a precariedade das vias de acesso. Já em 1948, Francisco Martins dos Santos, historiador bertioguense, escreveu em seu livro "Bertioga Histórica e Legendária": "o difícil acesso foi responsável pela sua dormência de séculos".

A projeção de Bertioga como uma das grandes opções turísticas nacionais só teve início a partir da integração entre as rodovias Rio Santos (BR 101), concluída em 1972, e Mogi-Bertioga, em 1982, ainda que com alguns trechos sem asfalto. Em 2002, a inauguração da segunda pista da Rodovia dos Imigrantes veio reduzir substancialmente o tempo de percurso entre o litoral e o planalto. De lá para cá, tem sido constante o aumento de turistas e de investimentos na cidade.


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